Nossa atual sociedade urbana e a negligencia

sobre as praticas de autoconhecimento

Mauricio Salem

 

 

Nos dias de hoje os excessos de estímulos geram em nossos corpos, mentes e intelectos um constante estado de alerta e turbulência. O individuo exposto ao ambiente urbano e virtual saturado de informações, age e reage com muita intensidade e freqüência, adquirindo dificuldade em atingir os estados de  repouso, tanto físico quanto mental e de coerência no estado de alerta e prontidão.

 

 O conjunto mente e intelecto sobrecarregados de atividade, busca organizar as imagens e informações coletadas pelos órgãos dos sentidos, visão, audição,  olfato , tato , paladar. Gerando  pensamentos e mais pensamentos que alimentam os desejos por segurança e prazer gerando estados de ansiedade. Estes estados são a mola propulsora para as ações de aquisições pelo conjunto mente-corpo destes símbolos- objetos.

 

As ações trazem resultados positivos ou negativos, gerando assim o sentimento de recompensa e ou de frustração respectivamente. Este ultimo pode desencadear estados de perda , tristeza e sofrimento,  bem como alimentar ainda mais os estados de desejo. Este interminável ciclo vicioso de apego mental – físico - mental é chamado no oriente, pelas culturas seguidoras do Dharma, de Samsara.

 

Então o corpo como agente da ação , quando mal orientado pelo conjunto ego- intelecto, se expõem a uma exigência física e mental desgastante e desnecessária. No intuito apenas de satisfazer as ilusões e falsas necessidades da mente agitada e turbulenta, em resumo perdemos tempo. Um tempo preciso que recebemos ao nascer e desperdiçado tal qual um cachorro correndo em círculos atrás do próprio rabo. Porem esta ilusão tambem gera ocupação e um prazer ao sistema ego, intelecto e corpo , que atribui funções e valorizações as ações realizadas.

 

Mas o que acontece quando toda uma sociedade esta envolvida em uma interminável sequencias de ações infinitas para satisfazer desejos infinitos ? Assim chegamos a um dos impasses contemporâneos da sociedade, nunca tivemos tanto tempo livre e tantas obrigações auto impostas. Com isto as crianças sem atenção dos pais trocam os asseguramentos psicomotores da experiência vivida do núcleo familiar, por satisfações simbólico mentais, provenientes dos estímulos áudio visuais de nossa moderna e virtual sociedade contemporânea, consumindo bens materiais que tentam suprimir experiências não vividas.

 

Este modo de vida afeta diretamente o comportamento das crianças no cotidiano escolar. Esta moderna falta de tempo, devido ao excesso de atributos modernos reais e virtuais, fragiliza o núcleo familiar retirando-lhe o tempo de convívio, O convívio direto é um dos responsáveis pelo o processo de asseguramento físico emocional necessário no desenvolvimento do ser humano. Suprimida esta experiência, a necessidade de “ensinar” asseguramentos emotivos a crianças se soma a mais um dos atributos contemporâneos e obrigatórios da educação, repassando a função do núcleo familiar para a instituição escolar já muito saturada.

 

Uma cruel verdade presente e crescente nos meios urbanos. Não temos tempo devido a agitação e a interminável lista de afazeres diários e não nos damos tempo para participar da educacao de nossos filhos. Projetamos no imaginário urbano- virtual formulas mágicas e ilusórias de felicidade instantânea, tudo pode ser resolvido com o engolir de uma pílula ou o apertar de um botão.

 

Compreender as ferramentas de auto-conhecimento e seu uso regular na rotina diária ajuda a quebrar padrões autodestrutivos e contra producentes. A compreensão do nosso corpo e mente e de como o aparelho respiratório dita o ritmo do nosso metabolismo para participar de uma atividade e para o repouso. Saber compreender este mecanismo e a chave para a estabilidade emocional necessária ao mundo adulto. Portanto um conjunto de praticas psicomotoras coerentes e suas vivencias com o uso do relaxamento e da concentração ,corretamente ensinados, no processo educativo da infância a adolescência tornam-se um aliado para o desenvolvimento saudável do ser humano e apartir deste ponto questionar a atual sociedade e  os seus rumos.

 

 

Mauricio Salem

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 Mauricio é um dos editores do site www.yogaeduc.com.br . Se desejar mais informações ou comentar o texto envie um e-mail para contato@yogaeduc.com.br